Trecho · capítulo 1
O balde fura no fundo, não na boca
Pense numa lata de leite com um furo no fundo. Você enche a lata na ordenha, orgulhoso, e sai carregando pro laticínio. Só que o caminho é longo e a lata vai pingando pelo furo. O que chega pra vender não é o que você tirou — é o que sobrou depois do vazamento. No leite de verdade, esse furo tem nome: é a comida.
De cada dez reais que saem do seu bolso pra tocar a fazenda, até sete vão embora só na alimentação. Não é a vacina, não é a energia da ordenhadeira, não é o salário do vaqueiro. É a comida. Quer dizer que, se você quer parar de sangrar dinheiro, é no cocho que você mexe primeiro.
E aqui tá a parte que dói: a maioria dos produtores nunca fez a conta do cocho. Entrega o leite, recebe o cheque do laticínio, e acha que o valor daquele cheque é o resultado. Não é. O cheque é a boca da lata. O resultado é o que sobra depois que a comida bebeu a parte dela.
— continua no método · 8 capítulos